Venho por meio deste fazer uma reclamação. Reclamo eu, reclamam você, minha amiga e meu amigo bee: tá faltando homem.
Li e ouvi tanto isso hoje e ontem e anteontem e anteanteontem para trás e vou ouvir amanhã (Santo Antônio, o senhor não é o único). Então, eu refleti e descobri que mais do que homem-substantivo, aquele que assinala o quadradinho do “M” nas fichas de inscrição, macho-man, que gosta de azul e futebol, está faltando homem-adjetivo.
Homem-adjetivo é aquele que não é simplesmente homem, mas tem a qualidade de homem. Sabe ser, sabe honrar, e isso, não é fácil. Homem-substantivo é facinho encontrar, tem em cada esquina, até brota da terra, agora homem-adjetivo… fé, minha filha.
Ser o um que “no meio da noite te chama pra dizer que te ama” e copia e cola a mesma mensagem no WhatsApp pra 2 ou 3, é fácil. Ligar para a moçoila doente numa quarta-feira no meio da tarde pra perguntar como ela está, difícil. Ir vê-la, então…
Tirar foto no espelho da academia pra postar no Instagram #estourado #asminapira #vemnimim só por se achar o Cepacol da vez (se você tira foto no espelho da academia pra acompanhar os seus resultados e objetivos físicos, a carapuça não serve, ok?), é mamão com Whey Protein. Ler um livro inteiro, escrever “ansioso” (com S, porque é mais sadio) e entender que Donatello, Leonardo, Michelangelo e Rafael não são apenas As Tartarugas Ninjas, esquece.
Gastar o salário de um pai de família numa balada top, no balde de uísque, energético, vodca e afins junto com “os parça”, enchendo os olhos das mulheres-substantivo, fácil. Traçar um objetivo na vida, pensar a longo prazo e saber o que quer, bem difícil.
Dizer que está com saudade, dar a famosa mijadinha no poste, encontrar naquele fim de semana que não tem nada pra fazer mesmo, levar pro motel, sumir por meses e reaparecer, é como fazer 2+2. Ligar do portão da casa dela, porque realmente estava com saudade, passar uma noite preguiçosa vendo filme e dormir abraçado, dar um beijo na testa e no dia seguinte ainda querer a mesma pessoa, já virou um problema que nem Bhaskara resolveria.
É muito fácil ser substantivo, por isso, a maioria vai e é. Tem que ser muito homem para querer e ser adjetivo, envolve muita prova prática e poucos são os que estão dispostos a encarar.
Com alguma experiência na gramática dos encontros da vida, posso dizer que as reclamações são bem fundadas e que, como admiradoras do sexo masculino, podemos fazer, cada uma, escolhas. Se você pira num substantivo, se joga, minha filha! Mas, lembre-se que ele também joga… você fora, assim que cansar do seu jeito, do seu beijo, do jeito como você reage ao orgasmo ou da sua cara mesmo. Agora, se você está à espera de um adjetivo, ele vem, e com interdisciplinaridade, porque esse vem para somar.