Tá Faltando Homem-substantivo ou Adjetivo?

13 jun

Venho por meio deste fazer uma reclamação. Reclamo eu, reclamam você, minha amiga e meu amigo bee: tá faltando homem. 

Li e ouvi tanto isso hoje e ontem e anteontem e anteanteontem para trás e vou ouvir amanhã (Santo Antônio, o senhor não é o único). Então, eu refleti e descobri que mais do que homem-substantivo, aquele que assinala o quadradinho do “M” nas fichas de inscrição, macho-man, que gosta de azul e futebol, está faltando homem-adjetivo. 

Homem-adjetivo é aquele que não é simplesmente homem, mas tem a qualidade de homem. Sabe ser, sabe honrar, e isso, não é fácil. Homem-substantivo é facinho encontrar, tem em cada esquina, até brota da terra, agora homem-adjetivo… fé, minha filha. 

Ser o um que “no meio da noite te chama pra dizer que te ama” e copia e cola a mesma mensagem no WhatsApp pra 2 ou 3, é fácil. Ligar para a moçoila doente numa quarta-feira no meio da tarde pra perguntar como ela está, difícil. Ir vê-la, então…

Tirar foto no espelho da academia pra postar no Instagram #estourado #asminapira #vemnimim só por se achar o Cepacol da vez (se você tira foto no espelho da academia pra acompanhar os seus resultados e objetivos físicos, a carapuça não serve, ok?), é mamão com Whey Protein. Ler um livro inteiro, escrever “ansioso” (com S, porque é mais sadio) e entender que Donatello, Leonardo, Michelangelo e Rafael não são apenas As Tartarugas Ninjas, esquece.

Gastar o salário de um pai de família numa balada top, no balde de uísque, energético, vodca e afins junto com “os parça”, enchendo os olhos das mulheres-substantivo, fácil. Traçar um objetivo na vida, pensar a longo prazo e saber o que quer, bem difícil.

Dizer que está com saudade, dar a famosa mijadinha no poste, encontrar naquele fim de semana que não tem nada pra fazer mesmo, levar pro motel, sumir por meses e reaparecer, é como fazer 2+2. Ligar do portão da casa dela, porque realmente estava com saudade, passar uma noite preguiçosa vendo filme e dormir abraçado, dar um beijo na testa e no dia seguinte ainda querer a mesma pessoa, já virou um problema que nem Bhaskara resolveria.

É muito fácil ser substantivo, por isso, a maioria vai e é. Tem que ser muito homem para querer e ser adjetivo, envolve muita prova prática e poucos são os que estão dispostos a encarar.

Com alguma experiência na gramática dos encontros da vida, posso dizer que as reclamações são bem fundadas e que, como admiradoras do sexo masculino, podemos fazer, cada uma, escolhas. Se você pira num substantivo, se joga, minha filha! Mas, lembre-se que ele também joga… você fora, assim que cansar do seu jeito, do seu beijo, do jeito como você reage ao orgasmo ou da sua cara mesmo. Agora, se você está à espera de um adjetivo, ele vem, e com interdisciplinaridade, porque esse vem para somar. 

Identidade

25 set

Desde que me entendo como ser único e individual neste planeta, vejo vantagem em defender aquilo em que acredito e me sinto confortável em continuar sendo quem sou, independente de qualquer opinião que diga que devo mudar. Veja bem, isso não é teimosia (ou talvez represente apenas uns 3%), é convicção.

Sou convicta daquilo que represento para mim mesma e daquilo que busco, mas aí vem o cara da minha vida e diz, com atitudes e palavras, que não. Entendi que o que ele buscava estava um tanto quanto distante de ser espelhado em mim.

Não tenho o sonho de casar. Antes que me crucifiquem com os pregos da hipocrisia, gostaria de dizer que tenho meus motivos, motivos reais que passaram diante dos meus olhos, mesmo sem nunca ter dito “sim” diante de um padre e de uma plateia desesperada para comer bolo. Tudo o que vi, vivi, espiei e experimentei foi aos poucos clareando minha visão, como se eu fosse míope vendo a sombra de um príncipe e com a lente da maturidade percebesse que o que existe são homens reais.

O que há de errado em juntar os trapos? Em ficar junto porque se ama e não porque seus pais acham que já está na hora, depois de tanto tempo de namoro? Por que cargas d’água eu tenho que me submeter a uma convenção que dura 1 noite quando quero pegar meu dinheiro e meu amor e percorrer cidadezinhas europeias em 1 mês?

 

 

Acontece que o que o cara da minha vida quer é uma fã incondicional, sem voz, que aceita tudo “por amor”, uma exímia trocadora de fraldas e fazedora de bolos, que, de preferência, tope não trabalhar, porque ele é concursado e pode prover a família. Oi? Vim do futuro e caí nesta época por engano?

O problema vem do fato de eu usar a minha voz para dizer quando não gosto de algo, de eu não aceitar ser a principal, a da aliança no dedo, e me achar no direito de ser a única, de eu ter arrepios ao imaginar que um bebê poderia ser meu, de imaginar a calda do bolo em “n” lugares, menos no bolo, de a-m-a-r trabalhar e viver enfiada em livros, sites, blogs caçando assunto. Aí ele me acha… vulnerável.

Por vulnerável, entendo: “você tem opinião demais, te olho e vejo um sabonete que pode escorregar da minha mão a qualquer momento.”. Então, eu comecei a achar que ele é um babaca acomodado e eu sou uma inquieta meio complexa. Abri mão dele para não abrir mão de mim.

Hoje, o primogênito dele vem aí, brownie é sua sobremesa preferida e tem um par que combina aliança com vestido florido desbotado abaixo do joelho. É bem o que ele queria.

Hoje, conheço títulos de prateleira e aqueles que ninguém se lembra de ler e assistir, trabalho por quantas happy hours precisar, tenho ninho, mas gosto de pássaros novos e interessantes e minha roupa preferida muda a cada dia. É bem o que eu queria.

Sou eu mesma. E amor algum vai me podar disso.

Eu, solteira

16 ago

Eu não sou contra o casamento, sou a favor de escolher (con)viver com quem se ama para sempre, independente de instituições e convenções pré-moldadas. Eu não sou uma defensora da solteirice, sou uma mulher que gostaria que todas as outras soubessem o quão é importante perceber a capacidade que se tem de ser feliz sozinha, antes de tudo.

Não sou uma baladeira de plantão, nem forço alegria, apenas gosto da troca de energia entre amigos, de dançar e cantar as músicas mais bobas, exatamente para que não tenha sentido, e aí rir até a barriga doer. Porque quero ter alegria para doar e trocar com o meu companheiro.

A minha independência sentimental, buscas profissional e intelectual e evolução espiritual não significam que meus olhos não brilham quando ele abre a porta do carro, paga a conta, carrega minha mala (a mala, não a bolsa, por favor), beija minha testa, assopra o fio de cabelo que está caindo no meu olho… Eles brilham, sim, mesmo que procurem não se encantar, porque todo encantamento tem um jeito de se reverter e “puf!”, se acaba.

Não sou arredia a declarações públicas de afeto, mas quantos “eu te amo”, “te encontrei”, “o homem da minha vida” vemos no mesmo perfil na rede, porém para pessoas diferentes no decorrer de 1 ano ou até meses?

Ser solteira não é a opção. A opção é apenas mudar o “status” da minha vida amorosa quando alguém que realmente valha a pena, a cada dia, mudar junto comigo.

 

Te Vi Numa Vitrine

10 ago

Te vi como em uma vitrine. Lá estava você, lindo, chamando a atenção de todos os olhares cheios de desejo que o encaravam e te imaginavam cobrindo a pele de seus corpos, um objeto de luxúria.

Mas fui eu quem te arrematou, trouxe para casa e, num ímpeto, não quis guardar, te joguei na minha cama, olhei cada parte sua: servia direitinho. Me esparramei em você, que coube em mim como uma luva. Encaixe perfeito. Éramos uma dupla fácil, uma beleza maliciosa, uma alegria intensa, uma sensação agradável ao te sentir na minha pele.

Você bem que poderia ser sempre assim, como uma peça de roupa, um vestido novo que a gente usa quando quer, quando não quer, deixa pendurado num cabide, fechado dentro do guarda-roupas para ninguém mais ver, ninguém copiar, ninguém desejar, ninguém ter.

Então, descobri que te encontrei numa liquidação de coleção passada, daquelas lindas, mas fáceis demais de encontrar e de tomar para si, qualquer uma conseguiria ter, bastando oferecer um pouco em troca. Mas eu paguei caro, dei minha atenção, meu tempo, meus planos e meu coração, à vista, sem troco.

Te devolvi no mesmo lugar em que peguei. Dei uma ajeitada, para ninguém pensar que fiz mau uso, e deixei por lá, junto com todos os brindes sem-graça que só conheci depois. O realmente engraçado foi que passados alguns meses, passei pelo mesmo lugar e lá estava você exposto, lindo, chamando a atenção de todos os olhares cheios de desejo e etc., mas sorri ao ver o meu reflexo e perceber que cresci, assim, você não serve mais para mim.

Como Somar Se Tornou Importante Para Mim

18 jul

Nada de segunda-feira chuvosa, nem quarta-feira de trânsito. Eu o conheci em um sábado animado e calorento em pleno botequinho aconchegante de um bairro movimentado por rodinhas de “jovens solteiros procuram”.

Troca de olhares e, 1 hora e alguns beijos depois, de telefones. Como gosto de números, conto que após 3 dias recebi um torpedo inesperado, no final do expediente, me perguntando como eu estava e se topava um happy hour na sexta.

Esqueci de toda a tática que vinha aprendendo em sites e revistas femininas (aquela de se fazer de ocupada no 1º convite), e respondi em 5 minutos, não por querer ou por ter esquecido a estratégia de demorar em responder – para ele não achar que eu estava insone com o celular na mão esses dias todos – mas sim, por ficar lendo a mesma mensagem várias vezes, só para ter certeza. Minha resposta: “ok.” (do item que dizia sobre usar poucas palavras eu lembrei bem).

Depois desse, vieram tantos outros encontros. Agradabilíssimos, eu e ele descobrimos pontos em comum e nos sentimos confortáveis com os divergentes, esse sem número (logo eu, perdi as contas) de vezes juntos resultou em um namoro sério, com união de famílias e amigos e todas as outras coisas.

Eu era feliz, tinha um namoro muito feliz e o melhor namorado do mundo. Até que em 2007, quando estávamos juntos há 5 anos, noivos há 1, com apartamento próprio há 8 meses, ele foi diagnosticado com leucemia linfocítica aguda. E eu era campeã em guardar para si o estado de choque, acometimentos de tristeza e de raiva que tanto senti durante este período.

Me tornei uma mulher mais forte, isso é incontestável, me vi como uma pilastra, dura mesmo, de mármore, onde ele encontrava apoio e sustentação. Por dentro, eu sabia que só desejava não ter olhos para ver o meu grande amor naquela cama, tão frágil, sorriso falho, lágrimas vagas… ele ficou tão fraco que levantar a mão para passá-la em sua cabeça já sem cabelos era tarefa difícil.

Quando eu o via assim, ficava pensando no sacrifício que era para ele me acordar todas as manhãs com um SMS, digitando o quanto me amava e um bom dia sorridente, até quando eu dormia com ele no hospital. Como em nosso 6ª aniversário juntos, o beijo doce que ele me deu na testa, dizendo que eu poderia chorar, se quisesse, que para mim ele poderia ser forte. Foi a única vez que chorei na frente dele.

Fui muita amada. Daquele amor que você é capaz até de tocar, sente te renovando, te enchendo de luz e paz, te faz uma pessoa melhor. Hoje, são 180 dias sem o meu querido. Há 180 dias ele me ilumina e fortalece de uma maneira invisível e indizível. A única conta que tenho feito é a de + 1: como eu queria + 1 abraço + 1 beijo + 1 cafuné + 1 sono juntos + 1 passeio de mãos dadas + 1 rodada de gargalhadas + 1 eu te amo + 1 torpedo + 1 apelido maluco + 1 dia que fosse ao lado dele.

Viajar = sonhar, sair da realidade

8 jun

Sempre tive vontade de fazer uma viagem ao exterior. La belle Europe, para ser mais sincera, era o meu grande destino para passear, comprar, comer e amar (que me perdoe Elizabeth Gilbert).

Eu sabia que ali, sim, eu iria amar muito. Tinha uma certa ilusão com os europeus: inglês, italiano, espanhol, suíço, alemão, francês… Não importava, eu queria apenas poder dizer que já amei e fui amada por um euro-homem em sua euro-terra. Achava-os lindos, todos, poderíamos casar, ter euro-filhos, e ser felizes para sempre com visitas rápidas ao meu país.

Fui. Viajei empolgada e sorridente para Londres, na época em que sabia que a cidade estaria fervilhando de turistas de todos os cantos, foi o meu plano para resolver duas pendências da minha vida de uma vez só. Ser uma mulher sozinha em um país desconhecido me deixava mais interessante, com um ar independente e foi com essa expressão que decidi ir ao bar do hotel na minha 9ª e penúltima noite na cidade (ok, a única amizade que tinha feito até então foi com um casal de brasileiros. Talvez eu fosse um pouco mais tímida do que imaginava).

Sentei em uma mesa próxima ao bar, pedi uma bebida e comecei a observar de maneira que me permitisse ser observada também. Ele chegou. Um homem lindo, bem do meu tipo, com aquela cara de europeu que me fascinava, do jeito que eu sempre pensei encontrar, apresentações e todo aquele papo inicial de turista para turista depois, começamos a falar sobre trabalho e estudo. Uma ou duas horas depois, o lindo italiano me deu um beijo na bochecha e subiu para o seu quarto. Eu só pensava que estava mal-acostumada com os meus conterrâneos atirados e em como era sexy um homem que conquistava aos poucos.

No meu último dia de viagem não o vi, mas carreguei de volta comigo a esperança de que ele havia salvado o endereço do meu perfil no Facebook em seu celular e se lembrado de me adicionar. Afinal, a esperança é a última que morre e se eu tive a sorte dele vir falar comigo, faltava pouco pro meu euro-sonho continuar acontecendo.

Assim que cheguei em casa, entrei superansiosa no Facebook para a verificação oficial. Ele tinha me adicionado e ainda deixado a seguinte mensagem (em um inglês traduzido): “Olá, linda! Lembra de mim? Adorei o lenço que estava usando naquela noite, é do Brasil? Se for, gostaria de encomendar um para o meu namorado, é a cara dele! Lembranças…”.

Depois dessa, a única coisa que consegui fazer passados meus 5 minutos de choque foi começar a planejar uma viagem. Desta vez, para o estado vizinho. Acordei com um chacoalhão estúpido do euro-sonho e agora só quero uma realidade bem pé no chão made in Brazil.

A Volta, o Retorno, ou Como Você Quiser

21 mai

Mais difícil do que o fim de um relacionamento é a volta a ele. Toda volta, indubitavelmente, vai trazer lembranças, as boas e as ruins, principalmente na hora da balança, que é quando você começa a pesar os prós e os contras da ida e da vinda.

Falando da ida, todo ser humano propenso a voltar com ex passa pelo julgamento fatal de todo mundo que conheceu o relacionamento, ainda mais se a ida, ou o famoso fim, foi traumática. Sua mãe te viu chorar no sofá, debaixo do chuveiro e em cima da cama, seu pai te falou um monte de verdades doridas sobre o mundo dos casais, seus irmãos olharam nos seus olhos para dizer “eu avisei” e seus melhores amigos te levaram para casa em condições precárias na primeira semana de bar-pós-término. Você falou mal do seu finado namoro e deu liberdade para todo mundo entrar nele.

Daí que, algumas semanas, meses, até anos depois, o contato com o seu ex-par é regular e interessante, uma mistura de tensão e tesão. “O que os outros vão pensar?”, “vão dizer que sou sem-noção?”, “vão achar que somos loucos?”, “vão virar a cara, as costas e tudo o mais para mim?”, já não bastasse a bagunça na sua cabeça, no seu coração e no seu estômago, diga-se de passagem, você vai ter de lidar com os outros. E olha que aqui não estou falando de namoricos de quando temos 15 anos e cabulamos aulas para ficar dando uns pegas atrás da escola.

Você é maior de idade e as escolhas são suas, assim como a responsabilidade sob as consequências que cada ato pode trazer. Porém (sempre tem um porém), a nostalgia é forte: cada nova olhada para o outro se tornar um filme do passado, tudo é novo, vocês estão diferentes, mas se conhecem a fundo, a atmosfera é outra, mas o ar tem o mesmo aspecto. Um conta as suas mudanças, o outro também. Relembram sentimentos, sensações, momentos, situações, e lá vão vocês… de novo.

A parte mais estranha de uma volta, um retorno, ou como você quiser chamar, é a linha do tempo. A começar pelo dia seguinte à “ficada da volta”, você não sabe se ainda faz parte do rol de solteiros da cidade ou se acaba de reassumir um compromisso e também não quer parecer chato (a) – afinal, você mudou, lembra? – e puxar uma DR para resolver os seus status. Por isso, é bacana deixar tudo às claras sobre as pretensões de vocês durante o encontro, aproveite que já têm intimidade para isso, dessa forma ninguém cria falsas expectativas a ponto de se machucar novamente.

Voltar com ex exige maturidade de ambas as partes para serem realistas e saberem o que querem, assim como para falarem sobre isso. A maturidade entra também no momento em que vocês vão precisar deixar as mágoas passadas para trás, ficar falando sobre elas o tempo todo pode trazer à tona discussões desnecessárias ao presente, fazendo com que não dê certo mais uma vez e você vai correr o grande risco de se tornar uma pessoa romanticamente frustrada.

Encarar o recomeço como um começo, um novo relacionamento e ir com calma pode ser uma boa escolha, a melhor entre todas. Se for bom e lhe fizer bem, prossiga até deixar de ser e fazer, o importante é a felicidade embutida em cada momento: seja feliz como você quiser.

 
Por: Aline Gomes. 

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